Decisões e Contextos

13 de Fevereiro, 2010

Os Açores precisam de uma rede de terminais para navios de cruzeiro?
Que ilhas precisam de terminais para navios de cruzeiro?
A ilha Terceira precisa de um terminal assim?
Angra precisa de um terminal para navios desses? Onde e de que dimensão?
Quantos navios de cruzeiro se pensa existirão a navegar por estes mares dentro de dez a vinte anos?
Existem estudos? Dizem o quê?
Os Açores precisam de quantos terminais para se tornarem numa região apetecível para este sector?
Qual é o impacto disso na hotelaria tradicional?
E na hotelaria em espaço rural?
Nas terras onde este segmento de negócio existe como é que ele convive com os outros segmentos da hotelaria e turismo?
Quanto ao património cultural, material e imaterial, o que acontece?
Quantos navios de cruzeiro são necessários para se começar a modificar – não interessa aqui agora se para bem se para mal – o modo de ser, de existir e de funcionar das populações?
Sendo que os navios de cruzeiro transportam grupos grandes, que funcionam como verdadeiras enxurradas, o que acontece ao espaço em volta e nos dias “sem cruzeiro”?
Quantos interessados foram chamados a participar na preparação e discussão da ideia de um terminal para Angra?
De que modo se pensa compaginar os diversos interesses em presença?
Sendo Angra uma cidade do Património Mundial pode viver com um terminal destes?
E sem ele?
O parque arqueológico, que está definido em lei junto a Angra, pode ser coordenado com este empreendimento?
Que enquadramento foi feito a nível arquipélago?
A promessa eleitoral foi estudada antes ou foi deixada cair a ver o que dá?
O PS está preparado para o “saco de gatos assanhados” que isto pode criar entre Angra e Praia ou foi mesmo isso o pretendido?
Numa perspectiva de desenvolvimento integrado como é que isto funciona?
Numa democracia deve ser o segredo a imperar ou o esclarecimento e a cooperação?

Há cerca de dois mil e trezentos anos, Alexandre o Grande da Macedónia, estando em descanso na Ásia Menor com as suas tropas, ouviu falar do nó górdio.
Era um complicado emaranhado de fios e, segundo a lenda, aquele que conseguisse desatar o nó tornar-se-ia senhor da Ásia Menor.
Alexandre resolve ir ver aquela estranha coisa e, depois de considerar um pouco, puxa do gládio e corta, de um só golpe, o emaranhado, fazendo-o cair, desfeito, no chão.
O episódio costuma ser contado para ilustrar os que “cortam a direito” os que “resolvem, de um só golpe, complicados problemas” e lembrei-me da história porque algumas situações e projectos têm sido apresentados, nos Açores e não só, como factos consumados, antes mesmo de estarem estudados ou de haver uma tentativa, minúscula porventura, de encontrar consenso.
Este é um deles.

O modo de colocar o assunto foi tudo menos pacífico. Cabe-nos a nós todos, a começar pela Terceira e a acabar nos Açores, o saber transformar uma frase, dita em contexto eleitoral, num projecto de base democrática e num facto social, cultural e económico inclusivo!
Porque o assunto interessa e o terminal também!

Por Francisco Maduro-Dias em Diario Insular

Desentendimentos

11 de Fevereiro, 2010

Um porto é uma porta!

Seja de recreio, de cruzeiros, comercial ou tudo junto, ou ele é uma porta para essas funções ou é uma estrutura falhada onde gastaram dinheiro dos contribuintes!

Sendo eventualmente importante para a cidade e para um futuro circuito de cruzeiros inter-ilhas, começou-se a falar do porto de cruzeiros de Angra “pelo tecto” o que foi profundamente errado.

Tratou-se de uma proposta apresentada em contexto político e eleitoral por uma área – a do governo regional – quando estava em causa uma eleição autárquica para outra área do poder. E continuou-se pelo tecto quando o Sr. Presidente do Governo Regional veio dizer que era assim e pronto!

Há tempos coloquei em público algumas perguntas que não vi respondidas por ninguém!

Uma pessoa amiga veio depois ao meu encontro e disse: já tenho respostas para quase todas, mostro-lhe quando quiser.

Agradeço-lhe aqui porque faço tenção de ver, mas interessa que esses esclarecimentos e saberes particulares contribuam para o esclarecimento e formação da opinião pública dos meus concidadãos dos Açores em geral e da Terceira em particular. E nisso os proponentes da coisa devem efectivamente esclarecer.

É que um terminal de cruzeiros em Angra não é uma coisa qualquer!

Angra do Heroísmo tem, como se sabe, a sua Zona Central incluída na lista da UNESCO, desde 1983.

Quer dizer que Angra tem, desde essa data, o seu ângulo e o seu espaço de progresso definidos por uma proposta assumida internacionalmente que entende o uso da herança cultural (construída, histórica, imaterial) como recurso e base de construção do futuro.

Por outro lado Angra tem, na sua envolvente portuária – e tanto quanto nos é dado conhecer publicamente – testemunhos arqueológicos que importa salvaguardar, conhecer e usar.

Descendo ao chão – ou melhor dizendo à água – eis que se levantam vozes a favor e contra, outras mais ou menos, e o caldo começa a entornar-se.

Cereja em cima do bolo: deixa-se de falar no essencial e necessário, para retomar velhas polémicas entre ilhas, entre cidades e entre grupos de interesse.

A velha questão de afirmar que o património não pode impedir o progresso, agora repescada, é falsa e incorrecta do ponto de vista técnico, só servindo para lançar areia aos olhos de quem passa.

Talvez o terminal de cruzeiros seja interessante e possível. Talvez um centro de investigação em arqueologia seja preferível ou até compatível.

O que ainda ninguém viu foi a necessária reunião dos conhecimentos, dos saberes, das vontades e das ideias de base (ou anteprojectos melhor dizendo).

O que tem havido é uma poeirada no ar, enorme e imensa que não serve ninguém.

O que se continua a teimar é que o património cultural globalmente considerado bloqueia o progresso.

Isso é falso!

Aceitar essa “agenda” é destruir o principal recurso diferenciador da Terceira, por comparação com o resto dos Açores e não só.

Entendamo-nos!

Por Francisco Maduro-Dias em Azores Digital

CAIS DE CRUZEIROS: Carlos César reconfirma em Angra do Heroísmo

11 de Fevereiro, 2010

O presidente do Governo dos Açores disse esta manhã que a decisão sobre a construção do cais de cruzeiros de Angra do Heroísmo está tomada e anunciada há já algum tempo, pelo que estranha o teor de notícias vindas a público recentemente.

“Não há qualquer dúvida sobre essa matéria, nem há qualquer fundamento num orçamento de 40 milhões, como já ouvi falar”, acrescentou Carlos César, para logo sublinhar que os estudos encomendados foram-no, exclusivamente, na perspectiva de o cais de cruzeiros ser construído na baía de Angra do Heroísmo, conforme, de resto, promessa eleitoral do partido que suporta o Governo.

Garantindo que não haverá qualquer alteração da decisão, especificou que “a nossa opção é feita pelo ajustamento de um cais de cruzeiros à baía de Angra do Heroísmo, sobretudo na perspectiva da sua comunicação e proximidade com a malha urbana, como, aliás, tem sido característica das infra-estruturas deste tipo que construímos nos Açores, já no caso de Ponta Delgada, e que estamos, neste momento, a construir, no caso da Horta.”

Por Redacção em AzoresDigital