Os Açores precisam de uma rede de terminais para navios de cruzeiro?
Que ilhas precisam de terminais para navios de cruzeiro?
A ilha Terceira precisa de um terminal assim?
Angra precisa de um terminal para navios desses? Onde e de que dimensão?
Quantos navios de cruzeiro se pensa existirão a navegar por estes mares dentro de dez a vinte anos?
Existem estudos? Dizem o quê?
Os Açores precisam de quantos terminais para se tornarem numa região apetecível para este sector?
Qual é o impacto disso na hotelaria tradicional?
E na hotelaria em espaço rural?
Nas terras onde este segmento de negócio existe como é que ele convive com os outros segmentos da hotelaria e turismo?
Quanto ao património cultural, material e imaterial, o que acontece?
Quantos navios de cruzeiro são necessários para se começar a modificar – não interessa aqui agora se para bem se para mal – o modo de ser, de existir e de funcionar das populações?
Sendo que os navios de cruzeiro transportam grupos grandes, que funcionam como verdadeiras enxurradas, o que acontece ao espaço em volta e nos dias “sem cruzeiro”?
Quantos interessados foram chamados a participar na preparação e discussão da ideia de um terminal para Angra?
De que modo se pensa compaginar os diversos interesses em presença?
Sendo Angra uma cidade do Património Mundial pode viver com um terminal destes?
E sem ele?
O parque arqueológico, que está definido em lei junto a Angra, pode ser coordenado com este empreendimento?
Que enquadramento foi feito a nível arquipélago?
A promessa eleitoral foi estudada antes ou foi deixada cair a ver o que dá?
O PS está preparado para o “saco de gatos assanhados” que isto pode criar entre Angra e Praia ou foi mesmo isso o pretendido?
Numa perspectiva de desenvolvimento integrado como é que isto funciona?
Numa democracia deve ser o segredo a imperar ou o esclarecimento e a cooperação?
Há cerca de dois mil e trezentos anos, Alexandre o Grande da Macedónia, estando em descanso na Ásia Menor com as suas tropas, ouviu falar do nó górdio.
Era um complicado emaranhado de fios e, segundo a lenda, aquele que conseguisse desatar o nó tornar-se-ia senhor da Ásia Menor.
Alexandre resolve ir ver aquela estranha coisa e, depois de considerar um pouco, puxa do gládio e corta, de um só golpe, o emaranhado, fazendo-o cair, desfeito, no chão.
O episódio costuma ser contado para ilustrar os que “cortam a direito” os que “resolvem, de um só golpe, complicados problemas” e lembrei-me da história porque algumas situações e projectos têm sido apresentados, nos Açores e não só, como factos consumados, antes mesmo de estarem estudados ou de haver uma tentativa, minúscula porventura, de encontrar consenso.
Este é um deles.
O modo de colocar o assunto foi tudo menos pacífico. Cabe-nos a nós todos, a começar pela Terceira e a acabar nos Açores, o saber transformar uma frase, dita em contexto eleitoral, num projecto de base democrática e num facto social, cultural e económico inclusivo!
Porque o assunto interessa e o terminal também!
Por Francisco Maduro-Dias em Diario Insular